10-04-2026 - 16:00 -

Un ancien joueur de São Paulo met fin à son contrat avec un club ukrainien par crainte des conflits : « J’entendais les missiles passer. »

O meia Talles Costa conseguiu a rescisão de contrato de forma amigável com o Polissya, da Ucrânia, e vai voltar ao Brasil. O jogador formado no São Paulo tomou a decisão para ficar perto da família após passar dois anos sofrendo com a guerra no país.
Zhytomyr, a cidade onde fica o ex-clube de Talles, não era foco da guerra, mas a proximidade com a capital Kiev fazia com que o jogador pudesse ouvir de seu quarto quando mísseis e drones passavam pelo local em direção à capital.
+ Siga o canal ge São Paulo no WhatsApp
– Teve um período na cidade que a gente começava a ouvir explosões. Como a capital fica a uma hora e meia daqui, passam drones, shahed, mísseis balísticos aqui em cima, sabe? Escutava o barulho. Já atacaram uma usina de eletricidade a um quilômetro daqui. Estava tomando café no clube e escutei, do nada minha esposa liga falando que explodiu ali do lado e tal. Aquele nervosismo. O clube adiou o treino e falou para as famílias que quisessem podiam ir para o clube porque era mais seguro. Ficamos três dias no clube até tudo se acalmar – contou em entrevista exclusiva ao ge.
– Os ataques normalmente são de madrugada. Eu ia dormir e minha esposa ficava de olho no grupo de Telegram que avisava qual cidade estava sendo atacada, pra onde estavam indo os mísseis. Às vezes, ela me acordava falando que tinha que descer. Às vezes escutava algo, janela tremia. A gente descia e ficava no primeiro andar, que é o que eles aconselham. Se eu te falar que caiu um míssil aqui do lado, foi só aquela vez, a cidade é até tranquila comparada às outras, mas para gente que vem de fora, assusta. Meu filho vai fazer dois anos e fiquei com ele uns seis meses aqui, no máximo três seguidos.
Mais do São Paulo:
+ Ex-diretores são expulsos do São Paulo por caso de camarote
+ Pablo Maia sofre duas fraturas e desfalca São Paulo
Talles Costa em ação pelo Polissya, da Ucrânia
Reprodução/Polissya
Talles revelou que uma sirene toca na cidade anunciando que a Ucrânia está sendo atacada. A partir deste momento, todos ficam em estado de alerta para se abrigarem caso seja necessário.
– Quando tocam a sirene, é porque a Ucrânia está sendo atacada, mas não especificamente minha cidade. Eles já mandam mensagem no grupo e a gente fica acompanhando porque eles avisam: ó, agora chegou em Zhytomyr, aí a gente liga mais o sinal de alerta. Quem ficava mais nessa missão de ficar vigiando os grupos era minha esposa. Eu tinha que conciliar isso, entre ficar acordado até uma, duas horas da manhã ou descansar, porque no outro dia eu tinha treino.
– O bunker do clube, eu diria que é o vestiário, na verdade, porque ele fica embaixo. É bem estruturado. Lembro de uma vez que eles mandaram mensagem no grupo nosso do time, falando: não ignorem os alertas dessa noite. Eles nunca tinham enviado uma mensagem dessa. Falei: vai acontecer alguma coisa. E era a época que a Rússia estava atacando forte. Fui deitar já separado uma bolsa, passaporte. Tocou a sirene, desci para o bunker do clube.
Talles deixou o Brasil em 2023, quando sua esposa estava grávida. A decisão não foi fácil, mas o jogador ouviu promessas de que teria toda a estrutura necessária. Quando chegou lá, porém, viu que não seria daquela forma.
Talles Costa atuando pelo Polissya, da Ucrânia
Reprodução/Polissya
– Passaram muita segurança pra gente. Eu vi a estrutura do clube. Sempre deixei claro essa questão familiar, da minha esposa grávida. Foi muito difícil para a gente, porque viemos com uma expectativa de que seria exatamente como foi combinado, só que não foi. Foi combinado que eu teria todo o suporte necessário aqui para que ela ganhasse o meu filho aqui. O clube tem uma estrutura muito boa, mas eles não tinham ainda toda essa experiência de como tratar os estrangeiros na parte extracampo.
+ Leia mais notícias do São Paulo
As conversas entre Talles e o clube duraram cerca de duas semanas, mas o Polissya não liberou o atleta enquanto as janelas de transferências ainda estavam abertas. Agora, o meia não pode acertar com nenhum time até o próximo período de negociações, no meio do ano.
– Primeiramente, quero um país que não tenha guerra. Isso daí, certeza. As janelas estão fechadas, não concordei com a forma que aconteceu aqui no clube. Penso em voltar para o Brasil, para a minha família, e manter os trabalhos que eu venho fazendo individualmente, me preparando. E… esperando ver qual vai ser esse meu próximo passo.
Foram 45 partidas pelo Polissya, incluindo a disputa da Conference League, chegando a marcar um gol no torneio continental. Já pelo São Paulo, clube que o revelou, foram 54 jogos e os títulos do Paulistão de 2021 e Copa do Brasil 2023.
Talles Costa em treino do São Paulo
Divulgação/saopaulofc.net
Veja outras respostas de Talles Costa em entrevista ao ge
Nascimento do filho longe
– Foi um dos períodos mais difíceis aqui, sozinho na Ucrânia. Lembro que se ela (esposa) ficasse para ganhar ele aqui, ia sofrer demais, sabe? Sem falar a língua e dependendo da ajuda de amigos. Optamos por ela voltar pro Brasil enquanto podia. Eu pedi para o treinador para ser liberado, ele permitiu, mas o presidente do clube não me liberou, então tive que ficar.
– No dia em que ele nasceu, era dia de viagem. Eu almocei e aí tinha duas horas até sair, que ele iria nascer. Estava com ela em vídeo esperando. De repente, mudou a programação e o ônibus ia sair mais cedo. Falei que se quisessem ir, podiam ir, eu ia ver meu filho nascer. Ficou todo mundo dentro do ônibus me esperando, me deram os parabéns, mostrei meu filho para eles.
Avaliação da passagem
– Minha passagem aqui gerou muita maturidade e experiência. Automaticamente, essa maturidade, essa experiência de vida que a gente tem fora de campo, a gente consegue colocar dentro de campo. Eu cresci muito aqui em questão física também. Sou mais profissional hoje do que na época de São Paulo. Não tinha o mesmo comprometimento em questão de nutrição que eu tenho hoje, treinos individuais, minha mentoria completa. Me vejo mais profissional do que quando eu cheguei aqui.
Voltar ao São Paulo?
– Sempre que a gente sai do clube, a gente sai com gratidão. Eu acredito que a maioria dos que saem não pensa em voltar tão rapidamente. Estava pensando mais para um futuro, de poder voltar ao clube que me formou. Então, a princípio é esse pensamento, mas óbvio, sei que São Paulo é também minha casa, de onde eu saí, conheço quem tá lá também. Então…
Lembranças do São Paulo
– 2022 foi meu maior ano no São Paulo com o Rogério Ceni. Até então, tinha jogado Paulista e Libertadores com o Crespo, mas não tinha jogado nenhum jogo de peso. Com o Rogério, joguei contra o Corinthians em semifinal de Paulista, fui titular contra o Corinthians no Brasileiro, Fluminense, Internacional… Peguei esses jogos para ver meu nível, se eu estava pronto. Devido aos jogos que fiz, vi que estava pronto. Esse ano me marcou pelas boas atuações.
Lembranças de Cotia
– O título Paulista para a gente foi importante, porque a nossa geração, 2002, não era muito bem vista, comparada à geração dos 2000/2001, que era Rodrigo Nestor, Antony, Helinho, e a nossa geração não ganhava títulos. Então, foi um ano em que eu fui campeão mundial pela seleção. E aí eu retorno e a recepção em Cotia foi sensacional. Tinha foto minha e do Patrick Lanza também espalhada no clube. Todo mundo dando os parabéns para a gente.
– E logo naquela semana a gente disputou a final contra o Palmeiras. E a geração de 2002 do Palmeiras era considerada uma das melhores. Então, ficou nisso, né? Uma das piores do São Paulo, contra uma das melhores do Palmeiras. E a gente ganhou, fomos como campeões. Teve uma baita briga lá no final do jogo, foi no Pacaembu o jogo. Então, foi um momento muito marcante também nessa minha parte em Cotia.
🎧 Ouça o podcast ge São Paulo🎧
+ Assista: tudo sobre o São Paulo no ge, na Globo e no sportv

Lire l'article sur ge.globo.com