Le football brésilien séduit des joueurs colombiens grâce à des « salaires européens » et offre une passerelle vers l’équipe nationale.
A escolha de quatro jogadores que atuam no Brasileirão para a convocação da seleção colombiana ilustra um movimento que se intensificou nos últimos anos. Os clubes nacionais têm procurado cada vez mais destaques da Colômbia para suprir carência do mercado interno. Ao mesmo tempo, o Brasil se consolida no imaginário dos atletas colombianos como um local que pode alavancar carreiras e até levá-los à Copa do Mundo.
Arias, do Palmeiras, Carrascal, do Flamengo, Portilla, do Athletico-PR, e Andrés Gómez, do Vasco, foram os nomes do Brasileirão convocados pelo técnico Néstor Lorenzo. E o número poderia ser maior. Ao todo, treze jogadores do futebol brasileiro foram incluídos na pré-lista de 55 nomes enviada pela Colômbia à Fifa.
Jogadores do Brasileirão na lista da Colômbia
Infografia/ge
Andrés Gómez chegou ao Vasco em agosto de 2025. Depois de um período de adaptação, o atacante conseguiu demonstrar suas qualidades, com um futebol veloz e de habilidade, ganhou prestígio em São Januário e voltou ao radar da seleção de seu país.
— Para mim, isso ajudou muito em tudo. Além de ganhar visibilidade, o técnico da seleção colombiana viu a exigência física do futebol brasileiro, que é de nível mundial. Além disso, o clube foi muito importante, pois me deu visibilidade. Isso me ajudou muito na minha carreira, não só na seleção, pela visibilidade, mas como jogador de futebol, me deu um valor muito maior — disse Gómez ao ge.
A contratação de jogadores colombianos não é novidade no Brasil, que teve nomes de peso nas últimas décadas. Por exemplo, Freddy Rincón, que fez história no Corinthians, ou Víctor Aristizábal, que deixou um rastro de gols por Vitória, São Paulo e Cruzeiro. Mas a chegada de jogadores de fora ganhou força com o novo regulamento da CBF, que permite até nove estrangeiros por equipe nos campeonatos nacionais.
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Andrés Gómez com a camisa da Colômbia
IMAGN IMAGES via Reuters Connect
Nesta temporada, 27 jogadores colombianos entraram em campo por clubes da Série A, o maior número registrado desde 2020, segundo informações do Gato Mestre.
Número de jogadores colombianos contratados por temporada (a partir de 2020)
2020 – 16
2021- 19
2022 – 13
2023 – 15
2024 – 19
2025 – 22
2026 – 27
Motivos para os clubes brasileiros contratarem
O analista e scout Raphael Rezende trabalhou no Botafogo entre 2022 e 2026, um período em que a SAF foi intensa no mapeamento do mercado sul-americano e garimpou peças importantes. Entre elas, a promessa Jordan Barrera, que fez parte da pré-lista da seleção colombiana. Além do aumento do número de estrangeiros permitidos, ele destacou outras características que tem atraído os clubes do Brasil.
— O jogador colombiano, generalizando, alia biotipo com capacidade técnica. Esse é um trunfo que atrai os mercados compradores, não só o Brasil, como o México e os Estados Unidos aqui no continente americano. Como valência prioritária, essa predileção pelo jogo mais técnico, de qualidade com a bola, que se assemelha ao imaginário do futebol brasileiro.
Arias em sua estreia pela seleção da Colômbia
Divulgação / seleção colombiana
Por outro lado, o analista considera que os jogadores colombianos em geral demonstram alguma dificuldade na adaptação, seja em questões culturais ou em critérios técnicos e táticos do futebol brasileiro, com um jogo de mais intensidade, linhas próximas e comprometimento defensivo.
Hoje, considerando a importação de jogadores estrangeiros, a entrada de colombianos só está atrás da chegada de argentinos e supera as contratações de uruguaios, de acordo com levantamento da CBF. Isso também se deve ao cenário do mercado de negociações na América do Sul.
— A Argentina inflacionou bem nos últimos anos, a partir do sucesso da seleção. E o Uruguai, com uma característica de um mercado mais restrito em quantidade e também na dificuldade negocial em si — completou Rezende.
Razões para jogar no Brasil
O futebol brasileiro também tem retribuído aos colombianos. Com o aumento da receita, os clubes da Série A têm aumentado os investimentos em contratações e salários. Depois de um desempenho marcante no Fluminense e uma ida para a Premier League, Jhon Arias voltou ao Brasil como a segunda maior contratação da história do Palmeiras, por cerca de 25 milhões de euros (R$ 154 milhões à época).
No Flamengo, Carrascal também foi uma chegada de peso, por cerca de 12 milhões de euros (R$ 77 milhões). Os dois irão para a Copa.
— Em alguns clubes do Brasil se pagam salários europeus para alguns jogadores. Por isso alguns voltam, inclusive, da Europa — analisou o jornalista Pablo Ríos, que cobre futebol brasileiro pela Win Sports, da Colômbia.
Jogadores do Brasileirão na pré-lista da Colômbia
Infografia/ge
Na opinião do jornalista, a exposição dos clubes brasileiros em destaque em competições internacionais, com hegemonia na Libertadores e participação na Copa do Mundo de Clubes, é um outro fator que seduz os atletas colombianos. Seja como plataforma para chegar à seleção ou para atrair os olhares do futebol europeu.
Como exemplo de jogadores que tiveram ampla repercussão ao chegar no futebol brasileiro, ele destaca o próprio Andrés Gómez, que havia perdido espaço na seleção colombiana enquanto atuava na França. O jornalista ficou surpreso, principalmente, com o atacante Kevin Serna, que nunca jogou em uma equipe profissional colombiana e recebeu sua primeira convocação após suas atuações pelo Fluminense durante o ciclo. Ele acabou ficando fora da lista da Copa.
— O Brasil é considerado uma das melhores ligas do mundo. Top 5, eu diria. E além, ali estão equipes que permanentemente estão competindo por títulos a nível internacional na América do Sul. Flamengo, Palmeiras, Fluminense, Atlético Mineiro, todos eles (…) E isso faz o colombiano acreditar que isso possa levá-los também para a seleção colombiana.
Embora não tenham sido convocados para a lista final, outros jogadores têm grandes chances de permanecer no radar da seleção da Colômbia, como o artilheiro do Brasileirão, Viveros, do Athletico-PR, o experiente Borré, do Inter, ou o meia Rojas do Vasco. A tendência é que a relação entre Brasil e Colômbia continue a crescer e novos Rincóns e Arias surjam nos próximos anos.